quarta-feira, 18 de julho de 2012

Atualizando

Salut pessoas!!!

Bom saber que vocês ainda estão por ai e que alguém ainda lê o que a gente escreve! Fico feliz! Então vamos aos poucos atualizando o blog com as nossas novidades.

Nesses 3 meses que se passaram desde o recebimento do visto a vida nova virou realidade. Estamos virando gente de verdade por aqui e até temos documentos! Olha só que lindos!!! Brincadeiras a parte, mas nosso recebimento dos documentos canadenses foi 99% tranquilo. Tudo chegou dentro do prazo e só não foi 100% sem problemas pois meu NAS não saiu logo de cara no primeiro dia. Tive um problema por ter nome composto e meu nome completo não coube no sistema, então tiveram que mandar fazer meu NAS sei lá aonde. Nunca gostei de nomes compostos e tenho trauma do meu, por isso fica a dica para quem estiver pensando em "presentear" seu pimpolho com um lindo nome daqueles super chiques como Maikel Jéquison Uóshiton da Silva Junior. 



Ainda falta a carteira de motorista daqui. Já fizemos o agendamento e assim que passarmos pelas provas conto como foi.

Outra coisa que fizemos nesse meio tempo foi uma viagem para Orlando. Tiramos 15 dias para esquecer de tudo e também para comemorar. Esquecemos da espera que tanto nos abalou, esquecemos que em breve teríamos que trabalhar e começar tudo do zero mais uma vez, esquecemos que estávamos esperando documentos, enfim, esquecemos tudo mesmo e por 15 dias voltamos a ser criança de novo nesse lugar magico where dreams come true. Foi maravilhoso e cada segundo que passamos lá valeu muito a pena e foi muito bem aproveitado.


Ah, detalhe: saímos do Canada e entramos de novo sem o cartão de residente permanente. A saída foi tranquila, sem maiores problemas, mas a volta tem que ser feita obrigatoriamente de carro. O documento de confirmação de residencia permanente que o consulado emite não dá direito a viajar por meios comerciais (avião, ônibus ou trem), por isso voltamos via NY e alugamos um carro que foi devolvido aqui em Montreal. Sem o cartão de residente permanente (que demora quase 3 meses para chegar) essa é a unica maneira de re-entrar no Canada sem ter que pedir aquele visto de autorização de viagem.    

Na volta de Orlando, comecei a trabalhar, como eu já havia dito num post anterior. Teoricamente esse  emprego seria bem similar ao que eu já fazia no Brasil, porém acabou que não era e eu acabei não me adaptando ao lugar e às minhas atividades. Foram 3 meses nesse emprego e como era um contrato temporário (que me ajudou a ganhar experiencia aqui) acabei saindo de lá sem peso na consciência. 

A saída do meu primeiro emprego foi tranquila e não teve nenhum stress para nenhum dos lados. A unica exigência do meu antigo contrato era cumprir 15 dias de "aviso prévio" que cumpri sem problemas e no final acabei saindo de lá com referencias positivas, algo muitíssimo importante, principalmente aqui quando se está começando do zero. Essa minha primeira experiência de trabalho, apesar de curta, me ensinou muito e merece um post exclusivo que virá em breve.

Obviamente, o motivo da minha saída desse emprego foi por que recebi uma proposta melhor. Contrato permanente, com benefícios e dessa vez totalmente relacionado com a minha formação e com experiências anteriores. A tal da "equivalência profissional" acabou vindo antes do que a gente imaginava e, para quem não queria trabalhar aqui, como eu dizia antes, confesso que estou bem feliz, pois o nível de stress é zero se comparado com o Brasil.


Pelo menos por enquanto, estou tendo uma boa impressão nesse começo do meu novo trabalho. Vamos ver como serão os próximos dias e meses, mas até o momento estou bastante feliz. Como deu pra ver ai em cima, o pessoal foi  bem simpático e receptivo. Espero que continue!

E por enquanto é isso. A bientôt!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ainda tem alguém por ai?

Salut pessoas!

Resolvemos dar um sinal de vida e voltamos! Passei por um período de revolta com o blog (e com muitas outras coisas que não valem a pena serem mencionadas) e resolvi dar um tempo. Não tinha nem vontade mais de escrever, mas sempre que passava por aqui ficava com um peso na consciência pois não queria que um simples desaparecimento marcasse o fim do nosso blog tão querido.

Em todas as áreas da nossa vida, com o passar do tempo, nosso foco vai mudando. Os interesses, objetivos, assuntos, etc passam a ser outros, portanto se alguém ainda passar por aqui pra ler nosso blog, espero que não fiquem frustrados com a gente, pois não teremos mais noticias sobre como andam os processos de imigracão por exemplo. Como disse, o foco é outro!

Até agora foram 3 meses de vida nova com conquistas, realizaçoes, algumas decepçoes e muitos momentos de felicidade. A cada dia que passa temos ainda mais certeza de que fizemos a coisa certa e não cansamos de agradecer por estarmos aqui e por tudo que estamos vivendo.

Enfim, espero que vocês ainda se lembrem da gente e continuem lendo nosso blog (e comentando também!!!!). Esse só foi um post de retorno e aguardem novidades em breve!

À bientôt.

domingo, 13 de maio de 2012

Vale a pena???

Salut pessoas

Um comentário feito pelo pessoal do BrasilPolska, com uma simples pergunta, nos inspirou a fazer esse post. "Vale a pena tudo isso?" foi a pergunta que rondou nossas cabeças nos últimos meses e agora que tudo acabou (ou vai começar) conseguimos fazer uma reflexão melhor.

Nos últimos meses estávamos certos de que tudo o que fizemos foi em vão, pois parecia que completaríamos 1 ano aqui sem recebermos o nosso visto. Nossa data de retorno para o Brasil já estava até definida, seria 01 de Julho e nossos planos seriam trabalhar no Brasil, juntar mais dinheiro e voltar um dia quando o visto resolvesse sair, isso é se saísse. Passamos pelo menos uns 2 meses quase sem sair de casa, meio deprês por causa de todas as noticias que a cada dia apareciam nos jornais. Nossas únicas atividades eram o curso de francês, academia e meu trabalho voluntário. Nem animo para passear a gente tinha.

Felizmente não foi o que aconteceu e a historia todo mundo já sabe!

Quando decidimos vir pra cá antecipadamente, o cenário era outro completamente diferente do atual. Até aquele momento, as previsões passadas pelo consulado eram cumpridas e quando atrasava não era muito. Confiamos também numa "promessa" do consulado feita para nós, nos garantindo que poderíamos vir tranquilos, pois se ainda assim os vistos atrasassem, teríamos tudo resolvido até no máximo Janeiro/2012.

Não foi o que aconteceu. Considerávamos o pior dos cenários até final de fevereiro, que também não foi cumprido, mas ainda assim, não estávamos despreparados para continuar aqui até julho (que era a nossa margem de segurança), só sentíamos que estávamos limitados, presos, sem poder viver plenamente, trabalhando, estudando, etc.

Mesmo com o desânimo dos últimos meses e com a data certa para voltarmos para o Brasil e esperarmos o visto por lá, ainda assim tentamos aproveitar ao máximo nossa experiência aqui. Francisação, imersão cultural, ganhar experiência canadense e até experiência de entrevistas para fazer contatos e quem sabe um dia quando o visto saísse conseguir alguma oferta de emprego. São essas pequenas, porém importantes, coisas que não podemos fazer no Brasil e que fazem muita diferença aqui no dia a dia, te dão mais segurança na hora de uma entrevista de emprego, te preparam para quando o "viver plenamente" chegar.

Se faríamos isso hoje de novo? A resposta é NÃO! Mas esse não, é baseado apenas em 1 único fator: Incerteza. A instabilidade do consulado, os prazos que aumentam a cada mês e o processo em constante mudança nos fazem HOJE, ter mais receio em relação ao futuro da imigração e do processo como um todo. Não estou dizendo que acho que a imigração vai acabar, mas como todo mundo tem visto, as coisas estão a cada dia mais difíceis, e diante desse cenário atual, acho que o investimento a ser feito, tanto financeiro quanto emocional, é muito alto para algo tao incerto no momento.

Mas e na pratica? O que os tais "pontos positivos" significaram para nos? Francisação, imersão cultural e experiência canadense fizeram toda a diferença assim que recebemos o visto e foram determinantes em relação as nossas conquistas.

A primeira de todas as conquistas (e motivo do meu desaparecimento do blog) é que recebi uma proposta de emprego exatamente no meu segundo dia útil como residente permanente e comecei a trabalhar poucos dias depois. De lá pra cá foi uma correria daquelas para tirar todos os documentos e resolver todas as pendencias sem ter que ficar faltando no trabalho, mas no final deu tudo certo. O trabalho em sim tem sido bem legal e esses primeiros dias muito cansativos. Sempre ouvimos dizer que os primeiros dias de trabalho em francês cansam absurdamente e comigo tem sido exatamente assim, chego em casa destruída, mas aos poucos vou me acostumando. Posso dizer que esse trabalho foi uma grande conquista mesmo pois estou trabalhando em uma grande empresa do mercado financeiro e em uma função mais ou menos parecida com a que eu tinha no Brasil, mas com o nível de stress super baixo.

E logo em seguida, veio a segunda parte da conquista, mérito do Fabiano. Durante 2 meses ele passou por entrevistas, testes de matemática, física, programação, abstração de projeto e depois mais uma entrevista até que finalmente ele foi aceito na pós graduação que sempre foi o sonho dele: desenvolvimento de games. Serão 9 meses de curso intensivo, no final ele fará um projeto para uma empresa e a partir dai é seguir para a carreira que ele sempre sonhou.

Acreditamos que o fato de virmos antes para cá ajudou sim nessas duas grandes conquistas. No nosso caso tudo valeu a pena, deu certo, tudo aconteceu no prazo que tinha que acontecer, mas corremos um risco mais alto do que a gente tinha pensado. Agora é fácil para nós dizer que valeu a pena, mas até pouco tempo atrás, não tínhamos essa certeza e em vários momentos questionávamos o que estávamos fazendo aqui. No final das contas, nossa saga teve final feliz, mas não significa que a de outras pessoas terá o mesmo final também. Não quero influenciar e nem desencorajar ninguém, pois essa decisão é algo muito pessoal e depende do nível de tolerância à fortes emoções de cada um.

A bientôt.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Oficialmente residentes

Salut pessoas!




Continuando a nossa saga, vamos contar agora como foi nosso Landing!

Quando o moço da Fedex chegou para entregar os passaportes, já estávamos com tudo pronto para sair. Só fizemos um double check nos documentos, conversamos rapidinho com nossos amigos Thata e Renato e pé na estrada.

A viagem foi super rápida e tranquila e apesar do feriadão prolongado, o transito era zero. Mesmo na fronteira, tanto para entrar no USA quanto para entrar no Canadá, não tinha fila nenhuma.

Chegamos no guichê do oficial americano e explicamos que iriamos até uma cidade chamada Plattsburg, almoçar e fazer umas comprinhas e que na volta mudaríamos nosso status no Canadá para Residentes Permanentes. Com toda "simpatia" dos oficiais americanos, ele nos explicou que teríamos que validar nosso status canadense antes e somente depois eles nos autorizariam a entrar de verdade no USA. Então fizemos o retorno do lado americano e passamos para o lado canadense para fazer a nossa entrada.

Do lado de cá os procedimentos foram super tranquilos. Fomos recebidos por um agente de imigração muito gente boa que fez todo o nosso procedimento de landing, nos explicou sobre os documentos, pegou todas as nossas informações e ainda conversou um pouquinho com a gente. No final, depois que assinamos toda a papelada ouvimos o tão aguardado "Bienvenu au Canada, vous êtes présentement résidentes permanentes". Fiquei emocionada. Se ele não tivesse com um revolver, spray de pimenta, colete a prova de balas e com mais um segurança ao lado, acho que eu teria abraçado ele, mas diante da situação achei melhor me conter.

Landing feito e com um sorriso de orelha a orelha, lá fomos nós passar novamente pelos super simpáticos oficiais americanos. Fizemos o procedimento deles e minutos depois seguimos para dar um passeio pela terrinha do Tio Sam. Nesse passeio, acabamos conhecendo um restô muito gostoso, estilo Outback e paramos para almoçar por lá. Já era mais de 18horas e nosso almoço tinha sido bolachinhas de arroz (deliciosas) dentro do carro mesmo, então a fome estava forte! Fomos atraídos pelo cheiro da comida que entrou pelo carro. Olhamos e vimos o local lotado e por isso decidimos parar, pois pensamos "deve ser bom". A comida era muito boa e o clima do restaurante bem animado. Agora com a residencia permanente, tudo fica mais fácil, então com certeza é um lugar que voltaremos outras vezes.

Finalmente lá pelas 23 hrs voltamos para o Canadá, mas dessa vez para entrarmos no país era necessário apenas mostrar a nossa confirmação de residencia permanente. Coincidentemente passamos por um dos oficiais que nos atendeu mais cedo no landing e, como ele se  lembrou de nós, simplesmente nos disse boa viagem e parabéns pela residencia!

Chegando em casa fomos brindar a nossa conquista. Quando alugamos o apartamento onde moramos hoje tinha um espumante na geladeira que decidimos guardar especialmente para quando o visto chegasse, e foi o que fizemos. Guardei a tal bebida e nunca mais nem olhei pra cara dela. Somente na volta da viagem, quando fomos "estourar o champagne" descobri que guardamos por 4 meses um suco de uva gaseificado não alcoólico. Rimos muito um do outro, mas mesmo assim não deixamos de brindar a conquista pois nada tiraria o sabor especial desse dia.

E agora, aguardamos ansiosamente o final do feriado, para amanhã, terça feira, darmos entrada em todos os nossos documentos canadenses.

A bientôt.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O sonho acabou

E VIROU REALIDADE!!!!!

Depois de 16 meses e 20 dias de uma espera angustiante, de vários sustos, de noites mal dormidas e planos feitos de A a Z, finalmente estamos oficialmente de volta, mas agora com nossos passaportes em mãos e com os vistos de RESIDENTES PERMANENTES emitidos! Toda espera acabou e agora a vida nova começa!

Mas muitos devem estar se perguntando "Como assim eles (já) estão com os vistos se os pedidos de exames médicos começaram a sair agora?". Sim, "já" conseguimos nosso visto e foi inclusive por isso que estávamos esperando dar tudo certo antes para poder contar aqui como as coisas aconteceram. Confesso que foi muito difícil segurar a ansiedade de não contar, mas foi o melhor. Mas vamos aos detalhes!

Senta que lá vem história....

Tudo começou na quarta feira dia 28/03, quando acordamos com uma mensagem da nossa amiga Thata, dizendo que algumas pessoas de novembro comentaram num grupo do Facebook que o status deles no E-Cas havia mudado para "In Process". Nessa hora já corri pra ligar o computador e quando vi que o nosso status havia mudado também comecei a gritar e pular pela casa igual uma doida. Em compensação o Fabiano que é uma pessoa mais racional por natureza, o cérebro da família, ficou feliz mas manteve a calma dele de sempre e disse apenas um "Vamos tentar falar com a Maura para ver o que isso significa na prática".

E foi o que fizemos, decidimos ligar para a Maura. Mas como se fosse fácil falar com ela!!! Doce ilusão! Ficamos a manhã toda tentando e nada, até que chegou um momento que desistimos e fomos (tentar) fazer outras coisas. Foi dificil se concentrar, mas não tinha outro jeito e precisávamos resolver coisas fora de casa.

Pouco tempo depois, Fabiano voltou pra casa e continuou bombardeando o telefone dela. Foram mais de 10 minutos fazendo as chamadas em looping sempre que caia na caixa postal, até que finalmente ela atendeu. Fabiano explicou que nosso status no e-cas havia mudado, passou o número do nosso processo e perguntou o que isso significava. Ela disse que era por que a análise do oficial já estava finalizada e que deveríamos aguardar em casa apenas o pedido de passaportes (pois já fizemos os exames médicos e depois conto como foi) e que o pedido dos passaportes chegaria em breve pelos correios. Porém, ele disse que não receberíamos o envelope em breve pois estávamos no Canadá e foi nesse momento que ela falou "Ok, então vamos adiantar. Pode enviar os passaportes." (Ainda bem que não era eu Ju que estava no telefone com ela, pois não sei se conseguiria manter a pose). Nessa hora, Fabiano engoliu seco, raciocinou e anotou todas as instruções para envio dos documentos e do pagamento da taxa e confirmou que enviaria os passaportes no máximo até o dia seguinte.

Em seguida, quando ele me ligou quase tive um ataque no meio da rua. A emoção era tanta pois finalmente a espera estava acabando e as coisas estavam começando a tomar forma. Largamos tudo o que estávamos fazendo, nos encontramos no centro de Montreal e fomos correr para pegar o banco ainda aberto e a filial da fedex também. Em menos de 1 hora já estávamos com tudo pronto e o pacote com o pagamento e nossos passaportes já seguia para o consulado para entrega na sexta feira dia 30.

Depois de sobrevivermos à quinta feira da espera, acordamos no dia 30 já olhando o site da Fedex para saber se os passaportes viajantes já estavam na mão da Maura e para a nossa surpresa a Fedex dizia que sim. Mas como o seguro morreu de velho, achamos melhor dar uma ligadinha apenas pra confirmar e ter certeza que tudo o que enviamos estava certo. Inacreditavelmente dessa vez foi fácil falar com a Maura e ela nos atendeu praticamente de primeira e confirmou que estava tudo ok. Obviamente perguntamos quanto tempo levaria para os passaportes viajarem de novo e ela nos disse que seriam 5 dias úteis para emitir o visto e depois mais 2 ou 3 dias da Fedex. Pra quem já esperou quase 17 meses, alguns dias a mais não farão diferença.

Porém, para a nossa surpresa, na segunda feira por volta da hora do almoço, recebemos um email do consulado dizendo que os vistos já estavam emitidos e precisavam confirmar o endereço de entrega. Ou seja, os vistos foram emitidos praticamente de imediato assim que os passaportes chegaram lá. Ainda era algo que a gente não conseguia acreditar. Sempre falávamos a frase "Está acabando" e quando vinha o sentimento de alivio, ficávamos com um pé atrás pois o visto ainda não estava em nossas mãos. Mas enfim, voltando ao email, confirmamos o endereço imediatamente e logo em seguida já recebemos o número Fedex para acompanhamento. Agora a sessão tortura começa.

Não dava tempo de enviar o Fedex na propria segunda, então só conseguiríamos ver o rastreamento dos passaportes viajantes a partir da  terça. Na terça a Fedex apareceu no consulado pra buscar nossa encomenda preciosa por volta das 13 horas, apareceu o registro no sistema, mas apenas dizia que foi coletado pela Fedex e o pacote não seguiu no voo da terça. Quarta feira o dia inteiro sem atualização nenhuma no site da Fedex e os passaportes parados ainda em São Paulo. Medo, aflição e ansiedade a flor da pele até que no comecinho da noite de quarta feira o status mudou para "Em transito - Campinas". A previsão de entrega desde o dia da coleta era na Quinta-Feira até as 12 horas de Montreal, porém fomos (tentar) dormir de quarta para quinta com o status de Campinas, esperando por um milagre no dia seguinte.

Quinta feira de manhã e eu mal dormi. Acordei as 6:30 e já fui rastrear os passaportes viajantes. Passaram por Memphis pela madrugada e estavam seguindo para Montreal. O site dizia que a entrega da nossa encomenda estava dentro do cronograma previsto para hoje, então resolvemos acreditar. A cada 5 minutos ficávamos dando refresh na tela para ver se algo mudava, até que quando os passaportes chegaram em Mirabel e foram liberados pela alfandega decidimos que era hora de alugar um carro para assim que eles chegassem aqui em Montreal já estarmos prontos para seguir para a fronteira. Enquanto Fabiano foi buscar o carro, eu fiquei em casa esperando ansiosamente pela Fedex. Os minutos não passavam, a internet não era interessante, não tinha nada na TV e nem dormir um pouco eu conseguia. Estava com aquela sensação estranha no estomago de tanta ansiedade e nada que eu fizesse ajudava a melhorar.

Fabiano chegou com o carro alugado enquanto o site da Fedex informava que os passaportes estavam a caminho de casa. Mal conseguia sair da  janela, querendo ver o carro do delivery encostando aqui na porta do prédio. Até que exatamente às 11:01, toca o interfone. Corri pra atender, tremendo de emoção e quase cai na escada. O cara da Fedex deve ter me achado uma louca, mas problema dele, o importante era o que estava chegando.

E aqui estão eles.... Passaportes viajantes salvos em nossas mãos e nesse exato momento estamos indo para a fronteira mudar nosso status para RESIDENTES PERMANENTES.


Até a volta!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Medo

Salut pessoas

Pela primeira vez nesses quase 16 meses de processo federal, sentimos medo de verdade. Medo de ter perdido quase 2 anos nos dedicando a algo inatingível, medo de termos desperdiçado dinheiro, medo de todo o nosso esforço ter sido em vão e assim por diante. Desde que chegamos aqui sabíamos que nada era garantido pois nosso visto de residente permanente ainda não foi emitido, porém tomamos a nossa decisão baseados em fatos, em históricos positivos e em promessas e mais promessas feitas pelo consulado que até hoje não foram cumpridas.

Hoje pela manhã, acordamos com uma noticia em todos os jornais daqui. O tão falado backlog da imigração, (o atraso para finalização dos processos) tem incomodado muito e ontem o ministro da imigração disse em um discurso que o Canadá precisa a todo custo acabar com os atrasos e que existe a possibilidade de cancelarem todos os processos em andamento e começarem a seleção dos imigrantes tudo de novo. Apesar de que nenhuma decisão oficial ainda foi tomada.

Na minha humilde opinião, acho que um ministro não falaria algo tão serio assim em um discurso, se não existisse uma possibilidade real de fazerem exatamente isso ou se ele não estivesse seriamente considerando tomar essa atitude. 

Bom, vou deixar aqui o link de algumas reportagens que falam sobre o assunto, para que cada um tire suas próprias conclusões. 



A bientôt

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sumimos

Salut pessoas!

Sim, estamos sumidos e de propósito! Não acho justo ficar colocando aqui no blog todas as minhas frustrações com a demora do processo federal, pois no momento é o único assunto que temos! Mas, antes de sermos crucificados: SIM, tudo isso estava dentro do nosso planejamento e SIM estamos muito felizes aqui e não nos arrependemos nem um pouco da decisão de vir antes! 

A vida aqui continua na mesma, estudando francês, esperando muito e aproveitando um pouco do que o inverno nos proporciona.

Estamos esperando apenas a saga do visto terminar e depois que tudo der certo contaremos como fizemos em relação aos exames, passaportes e etc.

Enquanto isso, vou deixar algumas fotinhas da neve por aqui, que cai num dia, derrete tudo no outro e quando a gente já tinha guardado as botas e casacos, ela resolveu aparecer de novo!









A bientôt.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E vamos levando a vida...

Salut pessoas

Sim, estamos sumidos, mas é que a espera de 14 meses pelo visto e ainda sem uma previsão real do consulado tem me desanimado um pouco de escrever aqui. O que me anima é pensar que está mais perto do que longe e que em breve teremos novidade, mesmo completando 15, 16 meses.

Mas enfim, enquanto estamos aqui temos que aproveitar de alguma maneira positiva esse tempo de espera e é o que estamos fazendo. Além do trabalho voluntário, que comentei nesse post, no dia 09 de Janeiro começamos também a nossa Francisação, que é o curso de francês oferecido gratuitamente pelo governo para os recém chegados. Como ainda não somos residentes permanentes, temos direito apenas a fazer o curso em tempo parcial, que vai das 9:00hrs até o meio dia. Já as pessoas que já possuem toda a documentação de residente, também é possível  fazer o curso em período integral e ainda receber uma ajuda de custo do governo enquanto estuda. Mas só de estarmos estudando de graça já é uma ótima vantagem para nós aqui!

Apesar da francisação ser um curso oferecido gratuitamente pelo governo, a qualidade é muito boa e ainda digo que é bem melhor do que alguns cursos particulares que já fizemos. Ela é oferecida em vários lugares, mas por diversos motivos, optamos por nos inscrever no curso da UQAM - Université du Quebec a Montreal.

A lista para todos os lugares da província de Quebec onde é possível fazer a francisação em tempo parcial está disponível aqui!

Como disse, estamos gostando muito da  UQAM e o curso tem nos ajudado muito a entender o francês quebecois mais popular, e não aquele francês  "limpo" que ouvimos no jornal ou no rádio. O foco do curso é a comunicação oral, com muitos debates, discussões e exercícios de compreensão com áudio. Aprendemos também muitas expressões usadas no dia a dia e o curso não se resume apenas ao período passado na sala de aula. Temos atividades para fazer em casa com o auxilio de filmes ou programas de TV, preparar apresentações, etc. Ou seja, o curso também exige dedicação do aluno.

Diferente de outras escolas que oferecem o curso de francisação, o da  UQAM  tem uma particularidade: é preciso fazer um teste de admissão e tem uma nota minima a ser atingida, que corresponde a um nível intermediário-avançado. Tanto é que quando fizemos a prova ficamos bem na dúvida se seriamos aceitos ou não e até tentamos nos inscrever em outra escola, mas felizmente a pessoa responsável pelas inscrições nessa outra escola que fomos, era a mesma representante do MICC que fez as inscrições na  UQAM e nos confirmou que fomos aceitos.

Outra coisa que achamos interessante é a grande variedade de culturas que tem no curso. Na minha turma, somos apenas eu e Thaissa de brasileiras, já que Fabiano está em outra turma e o Renato, marido da Thaissa está estudando a noite! Além de nós do Brasil, também tem pessoas do México, Russia, Japão, Egito, Líbia, Ucrânia, Cuba e outros países que agora não lembro. Sem contar um cara da Argélia (país que tem o árabe como primeira língua e o francês como segunda, devido à colonização da França no passado) que ainda não descobri o que ele faz ali pois só critica o francês de todo mundo, inclusive do professor!

E por falar em professor, esse é um caso à parte. Típico quebecois com aquele sotaque do interior do interior do Quebec. A primeira aula com ele foi difícil entender, mas agora já estamos mais habituados. Desde o primeiro dia chegamos a conclusão de que os Têtes à claques foram inspirados nele! Nosso professor fala igualzinho esse daqui:


Quem consegue entender isso perfeitamente pode dizer que tem um francês avançadíssimo, pois mesmo estando todos os dias com o professor que fala assim, e começando a entender o professor, ainda temos dificuldades com esses videos do tabarnak.

E por enquanto é isso que estamos fazendo. Estudando e tentando levar a vida  na maior normalidade possível, por que percebi que não dá mais para se estressar com o consulado. Pode ser algo já batido dizer isso, mas o melhor que podemos fazer agora é tentar aproveitar ao máximo essa espera se dedicando ao francês! Não tem outro jeito.

A bientôt! 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

14 Meses

Salut pessoas.

Não esperava completar tudo isso de espera e ainda não ter um prazo, uma previsão completa. Mas não vou reclamar mais. Como estou num dia de muita dor de cabeça, daqueles que não te deixa sair de casa, acho melhor não me estender muito pra não fazer deste post um muro de lamentações.

E a espera continua...

sábado, 7 de janeiro de 2012

Adquirindo Experiência Canadense

Salut pessoas!

Depois de um ano novo bem gostoso e tipicamente quebecois, estamos de volta. Estamos entrando de novo na rotina de estudos com a francisação que começa segunda feira e, ainda estamos torcendo pela chegada do visto. É estranho pensar que iniciamos esse processo em 2010 e cá estamos  nós em 2012 ainda sem nenhuma previsão. Já se foram 14 longos meses de espera.

Mas o assunto de hoje não é esse, e sim o que estamos fazendo para aproveitar esse período de espera angustiante. Esperei um pouco para poder contar essa novidade com mais detalhes e agora acho que o post será mais proveitoso.

Tudo começou em novembro com a nossa primeira visita ao Centre d'Action Bénévole de Montreal / Volunteer Bureau of Montreal. Trata-se de um escritório que concentra em seu banco de dados diversas vagas de trabalho voluntario nas mais diferentes instituições. No CABM é possível encontrar vagas de trabalho voluntário de todos os tipos possíveis e imagináveis, desde distribuição de refeições para pessoas necessitadas até desenvolvedor web, para fazer o site de algum órgão. Com este tipo de trabalho, o imigrante recém chegado pode adquirir a sua primeira experiência profissional canadense, obter referencias, colocar em prática e melhorar o francês e ainda aprender muitas coisas interessantes no dia a dia.


Mas, voltando a nossa primeira visita ao CABM (com rendez-vous apenas!!!), lá somos atendidos por um consultor que faz uma pequena análise do nosso perfil e objetivos e nos apresenta algumas vagas, fala sobre as instituições e etc. Após essa reunião com o consultor, é responsabilidade do candidato entrar em contato com as empresas/instituições para se candidatar às vagas. Também podemos ver as vagas pelo site e entrar em contato caso interesse, mas eles pedem para fazer isso apenas depois de passar pela entrevista com o consultor.

Depois de aproximadamente meia hora de conversa com a consultora que me atendeu, sai de lá super animada e com várias vagas de trabalho voluntário para que eu entrasse em contato e começasse a trabalhar em breve. E foi o que fiz. Priorizei os trabalhos em francês (pois tem a opção de trabalhar voluntariamente em inglês também), e entrei em contato com algumas instituições. Alguns horários não deram certo, outros não retornaram e finalmente uma instituição que parecia muito interessante me disse que eu poderia ir no dia seguinte. A vaga era trabalhar com atendimento ao publico em uma instituição que cuida de pessoas idosas. Achei o máximo pois seria uma ótima oportunidade de falar muito francês com diversas pessoas e meu horário seria bem tranquilo, 2 vezes por semana após o meio dia. Somente no primeiro dia que pediram para eu ficar o dia inteiro para ver como tudo funcionava.

E, lá fui eu para meu primeiro dia de trabalho. Cheguei, procurei pela pessoa responsável e ela nem perguntou meu nome! Me colocou em uma sala muito suja e cheia de roupas sujas para separar o que poderia ser vendido ou não. E lá fiquei, quase o dia inteiro, sem conversar com ninguém e respirando poeira.  Dai, quando lembraram que eu existia e foram ver se eu ainda estava viva, me falaram que eu poderia sair para comer alguma coisa, mas que deveria voltar logo. Peguei minha bolsa e sai "para comer". Nunca mais voltei.

Cheguei em casa triste e decidida a nunca mais fazer trabalho voluntário, pois mais parecia trabalho exploratório. O tal do atendimento ao publico que a vaga oferecia era feito somente por 2 francesas, funcionarias mesmo da instituição e os demais voluntários separariam os itens que seriam colocados na loja ou não. Para quem está lendo, pode achar que é frescura, mas digo que não é! Só vendo o ambiente e toda a sujeira do lugar que dá pra entender de verdade do que estou falando.

E assim passei o mês de novembro inteiro me negando a procurar outro tipo de trabalho voluntario, pois tinha medo de cair nessa mesma furada de novo. Me questionava como as pessoas faziam esse tipo de trabalho e ainda relatavam experiências super positivas. Não entrava na minha cabeça.

Passado o trauma, resolvi dar mais uma chance para os trabalhos voluntários e achei que valeria a pena tentar mais uma vez. E, com muito receio entrei em contato com uma instituição que buscava um voluntário para fazer um trabalho de assistente geral no escritório deles e lá fui eu para o meu primeiro dia. Trata-se de uma instituição que pesquisa a cura do diabetes e este escritório é responsável por receber as doações de toda a província do Quebec. Além disso eles também fazem eventos, parcerias com empresas, etc.


Chegando lá já senti a diferença. Era um escritório limpinho, no centro de Montreal. Fizeram uma pequena entrevista comigo para saber quais eram as minhas intenções e expectativas e no mesmo dia já fui apresentada para todo mundo que estava ali no escritório. Também me explicaram quais seriam as minhas atividades, meus dias e 
horários de trabalho antes de começarmos para saber se eu estava de acordo com tudo. Fiquei muito contente pois por mais que eu estivesse ali como voluntária, me senti "parte da equipe" e não mais uma pessoa trabalhando de graça.

Isso tudo aconteceu no comecinho de dezembro e, não parece, mas já estou completando 1 mês de trabalho voluntário, e estou adorando! Minhas atividades são bem básicas, de assistente do auxiliar do estagiário, como preparar 
correspondências para enviar para o correio, fazer arquivos e tirar xerox. Agora, depois de 1 mês e ganhando a confiança do pessoal do escritório, comecei a preparar os cheques das doações e os pagamentos para levarem para o banco e também a fazer tabelas no excel. Além disso, trabalho usando tanto o francês quanto o inglês, pois metade do escritório é francófono e metade anglófono. E não trabalho sozinha. Trabalho em conjunto com outro voluntário, um economista do México que começou no mesmo dia que eu.

Sei que 1 mês é pouco, mas até o momento posso afirmar que estou bem feliz. O pessoal do escritório também tem se mostrado bem satisfeito com o trabalho, principalmente agora com as "novas responsabilidades". Fiquei muito contente pois a minha "chefe" já se colocou a disposição para ser usada como referencia profissional quando eu estiver buscando um trabalho de verdade, ou seja, apenas quando sair o visto, sabe-se lá quando. Além disso, apesar de fazer um trabalho simples, mesmo assim a gente aprende pequenos detalhes do dia a dia das empresas e das pessoas que para quem já é daqui, é normal, mas para nós é novidade, como por exemplo preencher um envelope ou um cheque. E, tudo isso ainda ganhando a tão importante "Experiência Canadense".

Apesar de no começo a minha experiência não ter sido positiva, é sempre bom dar e ter uma segunda chance e nunca desistir de primeira. No meu caso, foi na minha segunda chance para o trabalho voluntário que as coisas deram certo e estou começando a ver os benefícios, que eu poderia estar perdendo caso tivesse desistido de primeira.

E agora, vamos ganhando experiência enquanto o visto não chega.

A bientôt.